Alcoolismo parental : E se preciso ser mãe/pai do meu pai ou da minha mãe?
[ editar artigo]

Alcoolismo parental : E se preciso ser mãe/pai do meu pai ou da minha mãe?

Os pais, por serem adultos, compram bebida à vontade e muitas vezes os filhos, mesmo antes de ter 18 anos, têm que lidar com as bebedeiras, a falta de controle, o “barraco”, o vexame, as agressividades, as depressões dos pais que bebem de forma compulsiva, ainda que só nos finais de semana, alguns. Outros, depois do trabalho, quase todos os dias.

As consequências do alcoolismo dos pais para os filhos são sempre muito trágicas. Muitas vezes, depois dos 50 anos, o pai ou a mãe que bebem precisam moderar ou parar de beber e a relação com os filhos sofre um salto quântico para melhor. E são os filhos que não foram cuidados como precisavam que irão cuidar destes pais nas doenças que se originaram do álcool. E cuidam com muito carinho, na maioria das vezes.

Cada família é diferente e a forma como vamos cuidar dos filhos e das filhas de pais e mães que bebem demais é muito específica. Aqui não vou poder mostrar particularidades. Quero voltar a este assunto outras vezes.

Se estamos cuidando com EFT (Tapping e/ou Optimal) da filha de uma mãe que bebe demais ou da filha de um pai que bebe demais, também tudo difere. E também, no caso dos filhos homens, é diferente se é um pai ou uma mãe que bebe. Mas temos em comum, a negligência com que os pais e mães alcoolatras cuidam do cotidiano. Encontram sempre justificativas para não estarem presentes nas reuniões da escola, nos passeios, nas brincadeiras, nos eventos, na hora de dormir, nas lições.

A agressividade  verbal ou física, as brigas conjugais, a tentação de levar os filhos nos eventos onde rola muita bebedeira ou em bares, tudo isso vai marcar profundamente estes filhos que ao mesmo tempo se sentem envergonhados pelos pais e por si mesmos, revoltados e com raiva das carências que sofrem, machucados pela agressividade, assustados pelas brigas em casa, aterrorizados pelos pais e mães que chegam tarde demais ,em estado lastimável. E impotentes, porque os pais e mães acham tudo normal, não se percebem como adoecidos ou comprometidos.

Neste email vou compartilhar o que percebo acontece na subjetividade da filha quando a mãe bebe, e como o EFT pode ajudar. Esta situação no Brasil é muito comum e as filhas geralmente buscam terapia pois seu nível de carência, insegurança e o precário amor próprio são constantes. A questão chave para estas meninas geralmente é o desamparo e instabilidade, que vai construir muitas destas defesas: mágoas, às vezes compulsões (comida, bebida ou drogas), desconfiança, medo da entrega, ciúme, dificuldade de por limites, raivas, vergonha de si, retraimento, impulsividade, ressentimento, falta de gesto, carência, insegurança, culpa.

É importante partir das defesas para ir fazendo o EFT Tapping e Optimal para todos os eventos específicos vividos com a mãe, relacionados com alcoolismo. São muito vívidas as emoções que estas lembranças trazem. Os detalhes dos eventos estão sempre muito presentes nestas lembranças. Se pode fazer, como geralmente faço, o EFT Tapping ou Optimal com a filha e depois fazer algo surrogado para a mãe, se estiver viva ainda. Isso acalma bastante a culpa de expor as fragilidades da mãe. E este trabalho surrogado para o alcoólatra tem me oferecido boas surpresas: no pai ou na mãe pode diminuir o alcoolismo se conseguimos realmente encontrar as emoções destes pais.

Elena me procurou aos 30 anos, já morando nos USA, para onde foi de forma aventureira para ser faxineira e escapar do convívio de uma mãe constantemente bêbada. Quando a vi pela primeira vez, ela já tinha uma filha de um ano e já estava casada. Mas a distancia nã diminuiu a dor e ela procurou terapia. Trabalhamos os eventos desde sua infância, cada detalhe, e o que foi aparecendo, com o Optimal EFT e o Terapeuta Interior, foi sua sabedoria para os cuidados que a maternidade demanda, coisa que aprendeu pelo negativo, ou seja pelo que lhe faltou receber. Esta sabedoria foi vindo à medida que fomos trabalhando os ressentimentos pela forma como a mãe lhe tratava, nunca dizia um “eu te amo”, batia por qualquer motivo, por exemplo. Trabalhamos bastante a sensação que sentia nos eventos em que os filhos ficavam sozinhos em casa para a mãe sair para os bares: da relação com ela não ser importante para fazer a mãe parar de beber, de não ter valor para a mãe achar graça nos filhos e levar num parque, etc. Olhamos também as raivas pela negligencia e descontrole, a vergonha pelas cenas de brigas e agressividade, etc . E o resultado do nosso trabalho terapêutico foi permitir que entrasse num estado de paz que nunca tinha sentido. As relações familiares nos USA com a família do marido melhoraram e hoje ela consegue se dar o direito de por limites. Outra emoção muito importante foi a culpa de ter abandonado a família, três irmãos no Brasil que bebem muito e uma irmã que é obesa mórbida aos 17 anos e que, segundo ela própria, come de raiva. A possibilidade de fazer o EFT surrogado (à distancia), para os irmãos aqui no Brasil (que nem sabem do trabalho) está abrindo uma porta incrível para eliminação da culpa. Porque Elena às vezes sente muita culpa de estar numa situação melhor que sua família no Brasil.

Esta semana trabalhamos  com Optimal  EFT, de forma surrogada (à distancia), as emoções da irmã obesa, em eterna depressão grave e logo depois da sessão, me escreveu dizendo que a irmã acordou se sentindo ótima, em paz, alegre, o que nunca acontecia. Não sabemos até que ponto Elena está pronta para melhorar, mas temos pelo menos uma esperança. E  a sensação para Elena de que ela está abrindo possibilidades novas para seus irmãos, e quem sabe para a mãe.

Comunidade EFT Oficial
Sonia Novinsky
Sonia Novinsky Seguir

Psicoterapeuta utilizando Winnicott, Gilberto Safra, Pavel Florensky e EFT OFicial no seu trabalho clinico. Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil.

Continue lendo
Indicados para você