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Atendimento e memória: cuidados decisivos

Atendimento e memória: cuidados decisivos

Atendimento e memória: como lidar?

Tanto a Psicanálise como algumas terapias alternativas como EFT colocam muita ênfase na memória. Como Gary Craig, por exemplo, não tem formação clínica em psicanálise, há alguns pontos levantados pela Psicanálise que são importantes mas que ele intui e incorpora sem se dar conta, enquanto outros terapeutas às vezes cometem erros significativos por não levar em conta. Por isso vou me deter sobre um ponto relativo à memória.

Sabemos que o sintoma carrega forte carga de memória em si, que precisa ser acessada. Vejo muitos praticantes de EFT irem corretamente atrás dos eventos que recordam foram ruins ou traumáticos. E fazem o EFT para o evento. O primeiro ponto a atentar é que não adianta fazer o EFT para o evento sem que o paciente conecte com o que sente em termos de emoção no corpo e com tudo que pensa agora quando se identifica  com quem era quando viveu o evento. Ou seja, precisa se conectar com os significados do evento para ele.

O segundo ponto é mais delicado porque se trata de olhar o evento para descobrir algo da subjetividade do paciente que está em camadas menos presentes na sua memória consciente. E que podem não surgir sem o diálogo com o terapeuta. Aí estão as significações que se gostaria de não ter vivido, os significados que ficaram no inconsciente.

Por exemplo, contarei o caso de uma paciente que traz um evento em que sua culpa e vergonha tinham uma carga 9 a 10 e que teve repercussões importantíssimas na sua sexualidade, na sua relação com os homens e também na sua vida profissional.

Quando tinha 10 anos (dormiam 4 irmãos num quarto devido à situação financeira familiar) o seu irmão, mais velho dois anos que ela, roçou seu pênis na sua perna. Ela se assustou, mas deixou. Sua mãe entra no quarto, vê a cena, arranca os dois da cama e lhes dá uma surra, falando as piores coisas para eles, caracterizando o evento como sem vergonhice e coisas piores.

A paciente nunca contara isso para ninguém.  Trabalhamos suas respostas emocionais (sobretudo vergonha e culpa) a todos os aspectos do evento. Trabalhei com Optimal e Tapping de forma integrada (ver post a respeito aqui na academia). Fomos para nível 5 rapidamente, ressignificando de modo a poder perdoar sua mãe e deixar de se culpar.

No entanto, precisamos caminhar mais. E, na sessão seguinte, penetramos na sua própria subjetividade para reconhecer o seu desejo, a sua sexualidade e seu afeto que se expressou sexualmente. E, com mais clareza, o quanto sua culpa estava vinculada a ela mesmo se sentir suja por querer que ele continuasse roçando. E trabalhando este conflito entre a visão da sexualidade como perigosa e demoníaca e seu próprio desejo inquieto, expressão do afeto por seu herói que era o irmão mais velho, pudemos aliviar totalmente culpa e vergonha. Lógico que ressignificamos para ver a beleza da inocência que pode ter sido este  momento íntimo de duas crianças que tem um contato sexualizado, mas  vivido como um amor fraterno. Ela pôde se perdoar porque sentiu a inocência com a qual viveu aquele momento de se sentir querida, atraída por seu herói. Seria muito diferente se o parceiro fosse alguém mais velho, aí teríamos uma confusão de línguas, no sentido que Ferenczi dá a este termo. Mas os dois estavam muito próximos em idade e muito amorosos também.

E essa busca de um pelo outro tinha razões familiares também: os pais viviam brigando, pois o pai era alcoólatra e muito distante. A mãe, lógico, sobrecarregada com tudo que se referia a prover e cuidar, era esperta mas dura. Entre si buscaram um afeto que suportasse tanto desamparo.

Este exemplo dei apenas para mostrar que temos que ir mais longe do que só as memórias mais aparentes de um evento. Temos que, sim, olhar o que e como o ambiente cria e age no evento. Mas temos que olhar como a subjetividade do paciente também cria e reage ao evento.

Com isso, muito do que hoje, não só no EFT, mas em muitas terapias alternativas se identifica como causa traumática de sintomas e bloqueios presentes é apenas um fator de uma situação vivida que é muito mais complexa. Pois o ambiente e a subjetividade do paciente estão o tempo todo interagindo para criá-la.


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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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