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Concursos públicos e procrastinação
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Concursos públicos e procrastinação

Queridos,

Essa tradição que já era bastante brasileira, a de massivas quantidades de jovens adultos tentarem entrar na carreira pública através de concursos. Com a crise econômica política e ética que vive o país a atração pelo setor público só cresceu.
Li numa matéria da Veja  que em 2016 10 milhões de brasileiros tentaram concursos públicos. A procura cresceu 40% em relação ao ano anterior. Estes dados revelam uma atitude e um interesse saudável em termos de carreira e vocação?

O que vejo em meu consultório me parece meio assustador. Jovens que já entram na faculdade sem nenhuma motivação, pensando em fazer o concurso. Outros saem da faculdade já com a cabeça de se inscrever em concursos. Tenho clientes que estão de 7 a 10 anos tentando concursos os mais diversos.

A motivação se origina numa vocação?  Eles tem interesse pelo que vão fazer? Tem interesse em contribuir através do cargo conseguido com o órgão para o qual se candidatam? Infelizmente não é isso que vejo. Tenho geralmente 25 a 30% de clientes que vem ao consultório ou porque estão sofrendo na tentativa de passar nos concursos ou porque já passaram no concurso e o trabalho desconectado de seus estilos de ser, de seus talentos, de suas vocações os adoece, deprime, gera até síndromes de pânico.

Eu vejo neste quadro sim, uma síndrome psíquica e social. Social porque não é uma vocação para a devoção ao setor público o que motiva. E psíquica porque há uma dissociação importante entre o si mesmo, seus talentos, sua vocação e o trabalho que se almeja depois de anos de sacrifício estudando matérias que não interessam.

As pessoas vem à terapia com EFT buscando o sucesso nos concursos, já que a falta de motivação os faz procrastinar o estudo, estudar e não aprender, se entediar com as matérias e dormir em vez de estudar. Ou então vem buscar o EFT depois de conseguirem passar num concurso e são tomadas por depressões crônicas, desanimo, pânico, desilusões. E querem coragem para tentar um outro concurso ou então, os mais saudáveis, se percebem perplexos numa vida sem sentido e pedem ajuda.

A motivação maior que vejo nesta atração que tem o setor público é a segurança econômica e a aposentadoria. Pode um ser humano, aos 18 anos, esquecer sua vocação, seus talentos, a busca de um projeto que dê sentido à sua vida, só em nome de uma segurança econômica permanente? Será que não há aqui uma distorção importante do que nos define como seres singulares que precisam se conhecer e desenhar um projeto que faça sentido para si e para sua relação com os seus contemporâneos? Será que entre 18 e 30 anos já é hora para pensar apenas na segurança econômica como prioridade absoluta, se isentando da coragem de criar a partir do seu estilo de ser, de sua singularidade como ser humano, sua contribuição única que seja ao mesmo tempo trabalho e realização pessoal?

Muitas vezes o EFT é um método que precisa recolocar a questão que o paciente nos traz. Neste caso é imperativo que, ao desvelar as motivações para o concurso público, ajudemos os pacientes não a seguir tentando o concurso como a panaceia de suas vidas, mas que os ajudemos a repensar e recriar suas vidas e seu projeto a nível ontológico. Desta forma a verdadeira vocação existencial se faz sentir e surge em máxima potência para lutar por sua realização.

 

 

 

Em suma, é importante ter um senso crítico também quando o paciente pede algo que nos parece inadequado para si e para o social.

Com o Optimal EFT, que é um trabalho muito intuitivo, temos bastante chance de deixar aflorar esta vocação, à medida que limpamos a negatividade através do Terapeuta Interior. Ensinaremos como fazer isso no próximo curso. A identificação da questão da pessoa, a localização dos eventos específicos, nos ajuda nesta angústia que divide as pessoas: querem o concurso ou querem o cargo público se já passaram mas ao mesmo tempo algo as faz sofrer. E este sofrimento está sem dúvida conectado com os medos que distorceram seus destinos, jogando estas pessoas para cargos públicos com a motivação inadequada e com o abandono do que não podemos deixar para trás: a nossa vocação singular e existencial nesta vida.

 

 

 

Sonia Novinsky

Sonia Novinsky

Psicologa - Emofree

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