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EFT, labirintite, medo e raiva.

Jorge é um bem sucedido executivo de 51 anos. É casado há 27 anos com Elisa e tem três filhos. Buscou terapia há três meses para lidar com questões emocionais que, segundo seu médico, estariam afetando sua condição física e dificultando a remissão de um quadro de complicações como hipertensão e diabetes, derivado de sua obesidade.
A observação clínica levou à hipótese diagnóstica de TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada). Esse quadro seria resultante de uma vivência de insegurança e de repetidas exigências e pressões maternas, a partir dos seus oito anos, após o falecimento do pai.
Ao início da terapia, Jorge revelou-se refratário a abordagens ou técnicas que não fossem derivadas de construtos psicoterápicos "cientificamente" reconhecidos. Queria algo "tradicional" como ele mesmo, esclareceu. Obviamente, a postura de Jorge foi respeitada, e  buscou-se desenvolver as sessões num formato dialógico e com fundamentação gestáltica e cognitivo-comportamental. 
Em sua penúltima sessão, Jorge entrou lívido no consultório, reclamando de tonteira, de dor-de-cabeça e de uma sensação estranha, como se os sons estivessem vindo de muito distante, inclusive a minha voz. "Estou tendo uma baita crise de labirintite. Começou agora mesmo. Você não quer fazer uma daquelas técnicas de que me falou?" 
Ele se referia ao uso de EFT, que eu já havia sugerido, como forma de lidar mais rápida e profundamente com seus sintomas e com a reversão do preocupante quadro de saúde.
Começamos com o tapping tradicional, focando não os seus sintomas físicos, mas o sentimento que esses lhe provocavam no momento. Ele relatou um desconforto, que não conseguia explicar bem. Ao ser estimulado a entrar em contato mais profundo com seus sentimentos, reconheceu que a sensação dominante era medo. Lembrou-se do pai e imaginou que aquela situação podia levá-lo à morte. Pontuou o desconforto em 10 e o medo em 7, na Escala SUDS. Focamos o medo, e por duas rodadas da sequência ele não percebeu qualquer alteração no seu estado. Na terceira rodada, incluímos o Procedimento Gama de 9 e o medo decresceu para 7 e, em sequência, para 5 e 3. 
Nesse ponto, ao observar repentina mudança na sua expressão facial, pedi que relatasse o que sentia e ele disse estar com muita raiva da esposa, que naquela manhã o havia pressionado “para além dos meus limites”. O SUDS alterou e subiu para 7, novamente. Perguntei o que poderia acontecer a partir daquela pressão, e ele respondeu: “Assim, ela acaba me matando”. De volta ao tapping, a raiva diminuiu para 5, 3 e 1. O mesmo aconteceu com o medo.
Considerei o 1 como um nível ecológico, ou seja, uma perturbação mínima que pode ainda ocorrer quando a situação não tenha sido inteiramente tratada. No caso, isso implicaria em aprofundar o trato da questão familiar. Era preciso trazer a esposa e a mãe à cena terapêutica. Mas, antes, voltamos à consideração dos sintomas e ele informou que a dor de cabeça e a estranha sensação de distanciamento dos sons haviam desaparecido. Restava a sensação de estar um pouco zonzo. “Nível 3”, ele informou logo. 
Nesse momento, eu o induzi a um relaxamento e pedi que se conectasse a um momento feliz com a mãe, em que preponderasse a amorosidade, o cuidado e o acolhimento, dela com ele e dele com ela. Mesmo os seus olhos estando fechados, pude perceber que ficaram umedecidos pela emoção positiva. Pedi que fizesse o mesmo com relação à esposa, e um sorriso calmo aflorou nos seus lábios. Sugeri, então, que ele considerasse a presença de um terapeuta interior e lhe solicitasse acolher, resolver e curar a disfuncionalidade de suas emoções, sentimentos e sintomas físicos, especialmente aquela sensação de vertigem.
Enquanto falava, eu mesmo busquei a conexão interior necessária, fundamentada no respeito e na amorosidade pelo ser que se encontrava à minha frente, enquanto pedia igualmente ao meu Terapeuta Interior que interviesse naquele processo, em nome do Bem e do Equilíbrio.
Em menos de dez minutos Jorge abriu os olhos e sorrindo disse que não sentia mais nenhum dos sintomas e que estava disposto a, ainda naquele dia, esclarecer à esposa alguns pontos que ele achava estarem influenciando negativamente a relação entre os dois, dispondo-se a mudar algumas atitudes e comportamentos em prol de um relacionamento mais significativo.

JOSE CARLOS SOUSA

Sou psicólogo clínico em atividade desde 1992. Desde os meus primeiros estudos sobre EFT, a partir do site de Gary Craig, aplico a técnica em minha prática clínica, juntamente com outras abordagens psicoterapêuticas e também de forma isolada.

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