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Modular estados emocionais descontrolados: função clínica importante

Modular estados emocionais descontrolados: função clínica importante

Uma das mais importantes formas de ajuda que tenho percebido na consulta clínica é a modulação da experiência emocional extrema do paciente, aquela que tende ao infinito.

Não importa que método você escolheu para receber seu paciente. Geralmente o início do tratamento é marcado por intensidades emocionais fortes. A pessoa procura um terapeuta e ou já se sente inundada por emoções ou à medida que vai relatando sua história as emoções vão chegando.

É uma característica inerente à própria emoção sua tendência ao infinito. Isto é, ir num crescendo em que sai do domínio do eu, parece ser eterna, absoluta, insuperável.

O que é uma emoção: como a palavra indica e-motion significa que algo está em movimento, isto é, o corpo. A emoção é diferente de um pensamento lógico, obviamente, porque este pode ser desencarnado, desconectado do corpo. E a emoção não pode. Ela põe o corpo em movimento. São arrepios, contrações, expansões, tremores, sufocamentos, taquicardias, calafrios, congelamentos, ou seja, sempre é possível apresentar metáforas que a denominam. Se o paciente, por exemplo, quando perguntamos onde você sente a raiva ele diz, "na cabeça, na mente," ele está pensando na raiva, pensando que ele deveria estar com raiva ou que esteve com raiva, mas de verdade não sente a emoção da raiva. A emoção tampouco se confunde totalmente com as sensações que decorrem de um impacto junto aos sentidos tato, sabor, olfato, visão. No entanto, as sensações tendem a ser qualificadas em julgamentos (positivos e negativos) e despertam emoções. Estas também disparam sensações. Por exemplo quando vem uma notícia do falecimento de alguém que gostamos e isso pode disparar uma sensação de frio junto com a tristeza.

No entanto, embora haja estas interfaces, para nós terapeutas é importante observar como as emoções acontecem em nós, esta sua tendência ao infinito, que significa nos colocar em estado agônico. Eu atendi um casal de namorados que chegou extremamente emocionado e alterado. O conflito se deveu ao rapaz haver saído com uma amiga e terem rolado algumas intimidades. A namorada chegou aos prantos, sentindo tristeza, ódio, mágoa, impotência, raiva de si mesmo, desamparo. Seu choro com soluços profundos que não terminava indicava o quanto sentia uma tristeza infinita, estava gelada. Ela havia estapeado ele no rosto e sentia também a vergonha de ter sentido aquele ódio infinito.

Nestes momentos de emoção descontrolada considero muito importante o abraço. Mesmo sem nunca a ter visto antes, eu fiquei vários minutos a abraçando. O abraço vem, através da linguagem corporal, mostrar que aquela agonia infinita encontra uma parada, que ela é possível, em algum momento finalizar, encontrar um término(1).

E a partir de uma posição em comunidade de destino (2) com nosso paciente, a conversa que se estabelece entre o par permite uma modulação da experiência emocional, ressignificando, acolhendo, compreendendo, invertendo perspectivas, para que a emoção transbordante se converta em sentimento.

O sentimento acontece quando pomos a emoção sob domínio do eu.  Isso acontece porque introduzimos na nossa experiência encarnada, a consciência, a compreensão, alguns pensamentos que vão ajudando a ampliar a perspectiva a partir da qual nos dirigimos a uma situação ou evento da realidade compartilhada. O afeto amparador do terapeuta, a forma sem julgamento com a qual se conversa, os pensamentos compreensivos, auxiliam a esta conjugação entre emoções e consciência que denominamos sentimento. Este jamais é agônico, pois é sempre modulado pela consciência que o terapeuta e o paciente constroem juntos na conversa. Pode-se usar muitos métodos, mas este princípio de como lidar com as emoções que tendem ao infinito me parece necessário útil e eficiente. Comentem ,

Beijos, 
Sonia

(1) Na linguagem matemática de Florensky, estudado com Prof.  Dr Gilberto Safra, o abraço dado neste momento seria o infinito atual e a agonia emocional infinita seria o Infinito Potencial. Para estudar mais estes tópicos procure o curso sobre Florensky no site do Instituto Sobornost.

(2) Comunidade de destino é um dos princípios clínicos que sigo, onde terapeuta se coloca em comunidade de destino com seu paciente, ou seja, se coloca no lugar dele, sentindo e pensando como ele e se colocando, durante a sessão, num destino comum a ele, para compreende-lo e ajuda-lo.

 

 

ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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