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Relação mãe-filha: quem cuida de quem?

Relação mãe-filha: quem cuida de quem?

Relato de uma terapeuta com uma pergunta, minha resposta no final. 

Uma paciente, Elizangela, me procurou porque uma amiga dela sugeriu a ela que seria bom ela fazer terapia pois estava passando por um período difícil. Ela estava grávida e o bebe morreu na barriga, tinha feito um concurso achando que seria nomeada e não foi, esperava por essa nomeação há 4 anos, e teve um tumor na tireóide. Disse que queria resolver as suas questões e entraves emocionais, conhece várias terapias, é espirita. 

Ela está bem, aparentemente, fica querendo identificar questões na infância, mas não tem muitas queixas atuais. Só da mãe, que sempre fala mal da filha na frente dos outros.  Elizangela cresceu com bastante liberdade, sente às vezes que foi negligenciada. A mãe não é carinhosa, não dava muito atenção.  

E também que a mãe não tem controle financeiro e ela sempre tem que emprestar dinheiro pra ela. É grossa com ela, ela diz que ela nunca teve paciência com ela. Ela diz que o jeito da mãe tratá-la a deixa triste pq sente que está sendo maltratada.

Quando ela fala eu sinto que ela está sempre correndo, é uma ‘maquininha”, sempre tem que produzir, qual a próxima fase? Qual o próximo projeto? Desde o início percebi como ela deixa a filha de lado (tem 2 anos), mas não falei nada. E na penúltima sessão ela me disse que está mudando porque antes o que era mais importante pra ela era a vida profissional e hoje ela esta valorizando outras áreas da vida também. disse que a filha vai crescendo, e o amor por ela também cresce. Mas mesmo assim, parece que ela é como a mãe, que não dava muito atenção pra filha. 

Ela disse que na infância dela, os pais sempre estavam muito ocupados e não tinham tempo pra ela. O pai queria muito que ela engravidasse, mas a mãe não pois queria curtir o casamento (era muito apaixonada por ele). 

Então fizemos um tapping da gravidez dela, ela estava dentro da barriga. Sentia a mãe sozinha, desamparada e que a gravidez era obrigação, estava decepcionada porque o marido viajava bastante a trabalho. Sentiu dor no ouvido esquerdo no canal, como se estivesse obstruída a passagem de garganta para o ouvido. Depois sentiu um abafamento, sentia falta de ar. Percebeu que o ambiente era hostil, frio. Ela mesma na barriga da mãe estava bem,mas sentia o ambiente não está bom. E então veio uma ideia de que “eu sou responsável pra mudar esse ambiente, pra fazer companhia pra ela...” No final dessa sessão ela lembrou que teve problemas respiratórios na infância.

E realmente ela se queixou várias vezes de se sentir responsável pela mãe, ela sempre resolveu os problemas dela... A mãe não tem controle financeiro, sempre pede indiretamente dinheiro pra filha. A Elizangela acaba dando. Se não der, ela se culpa por isso. Eu percebo que a mãe dela fica cuidando da neta como uma retribuição ao dinheiro.

Inclusive a mãe joga na cara dela que ela saiu de um emprego bom pra cria-la.

Sente raiva e decepção da mãe, porque “ela não é a mãe que eu queria ter”. reclama muito do jeito como ela fala, é sempre grossa. 

O pai já faleceu e sempre foi muito rígido com a Elizangela. Apesar de ser filha única nunca teve uma vida fácil. Ela sente que o pai queria ter um filho, porque sempre a tratou como um menino, ela fazia tudo que um filho homem faria. Ele dizia pra ela que tinha que cuidar da mãe, porque era muito descontrolada. E ela pensou em um jeito da mãe ganhar dinheiro, a mãe gostou da ideia, colocou em pratica, mas ainda pede dinheiro pra filha e ela muito raramente consegue dizer não. Na maioria das vezes, ela não consegue. E o marido fica bravo com isso, então ela acaba dando escondido. E ela é uma pessoa muito correta, não aceita nada errado e é franca, fala pras pessoas quando estão fazendo coisas erradas. Na família ela põe ordem nos tios, nas esposas dos primos, fala pra mãe que os irmãos dela estão passando ela pra trás... a mãe fala pra ela deixar de ser tão “encrenquinha”. Ela me fala que muitos da família tem medo dela ou acham ela chata. Mas ela se justifica e diz que ela é uma pessoa correta, e que isso é melhor do que ser benquista. Fiquei pensando será mesmo? Mesmo estando certa, será que ela não sente uma exclusão na família? Uma rejeição? 

Uma esposa de um primo estava roubando dinheiro e objetos caros nos encontros da família, sempre sumia algo, todos sabiam quem era, mas abafavam o caso. Até o dia que essa furtou coisas da Elizangela. Ela foi na casa dela, pegou as coisas de volta, ameaçou contar para o primo se ela não contasse. 

Eu devo voltar nas situações do passado, nessa atribuição de responsabilidade pra ela, né? Tenho dificuldade nessa relação com a mãe dela. E fico pensando se esse bebe que morreu na barriga não era porque ela também não queria engravidar, porque ela me disse que o marido que queria mais. E ela acabou engravidando. Está repetindo a mãe...

RESPOSTA de Sonia: em primeiro lugar se fez tapping tem que testar antes e depois para ver o que mudou, ok? Não esquecer de testar eh importante! Há realmente uma questão relativa a maternagem nestas relações mãe-filha. Mães aflitas para viver suas vidas e se sentindo ameaçadas com a chegada da criança. Este bebe abortado pode realmente ter sido rejeitado pela mãe.  

É compreensível. O lugar da maternidade ficou muito confuso no mundo atual. Por um lado se fala demais na necessária atenção das mães, presença, devoção, priorização dos bebes. Como se a maior responsabilidade do futuro estivesse nas mãos das mães. Por outro a mulher é culturalmente estimulada a viver a vida pública: participação na política, no mercado de trabalho, na vida noturna, na vida cultural. A mãe se sente pouco interessante se se dedica totalmente ao bebê. Se puder fazer isso. Ou se sente impotente para comprar o que precisa para si e mesmo às vezes para o bebê se  sai do mercado de trabalho por uns anos. É natural que a ambivalência predomine no coração das mães apressadas para dar conta da vida pública e privada.

É bastante comum que as filhas frente a angústia das mães se coloquem a missão de acalma-las, de organiza-las, de cuida-las, enfim, de salvá-las.  E quando chegam a maternidade elas próprias ficam elas próprias ambivalentes em relação aos filhos. Me parece que neste caso a Elisangela entrou em grande conflito mesmo. Agravado pela sua missão de salvar, de corrigir, de orientar, de controlar. Ela desenvolveu um elemento masculino bem forte e a missão da maternidade exige um elemento feminino . Tudo para gerar conflitos na maternalidade de Elisangela.

Eu sugiro que o terapeuta vá trabalhar o desamparo e falta de sustentação que viveu e sentiu na infância. Sua mãe teve depressão pós parto? Com o objetivo de liberar recursos para  Elisangela poder viver esta contradição cultural do papel de mãe no mundo de hoje. E neste processo reconhecendo o conflito que transcende a subjetividade poder perdoar a si e a sua mãe. Nos conte como evolui o tratamento?

 

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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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