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Supervisionando um caso de falso self

Supervisionando um caso de falso self

Dúvida de uma Terapeuta em EFT OFICIAL

A minha paciente é mãe e fica preocupada com o filho mais velho dela que tem 15 anos. Os pais são separados. E ela não consegue enxergar nenhuma qualidade no pai dele. Diz que ele é um zero à esquerda. O filho está  tirando muitos vermelhos na escola e fica bem isolado, é bem fechado, fica jogando video game. Ela, depois que se separou do pai dele, se casou com outro homem e teve mais filhos. Esse é um ótimo marido e pai. O filho mais velho fica implicando o irmão mais novo e o padrasto faz de tudo pra ele mas ele as vezes nem cumprimenta o padrasto. Pensei que ele pode ter inveja do irmão pq ele tem um pai que todos gostam, falam bem. E ele se enturmou com amigos da escola pública e o sonho dele é mudar pra essa escola mas a mãe ainda não decidiu se deixa ou não. Os amigos da escola pública quase todos não tem pai. Penso que ele se identificou com eles por isso. Ele tem pai mas mora em outra cidade, vai poucas vezes visitá-lo e é ele quem tem que ir pq o pai não aparece para vê-lo. Ele parece sentir vergonha do pai, nunca o apresentou para os amigos. Como estou cuidando da mãe, tenho que trabalhar os eventos da relação com o ex, porque ela não consegue ver nada de bom nele e deve acabar passando essa visão para o filho mesmo que não diga diretamente isso né? É isso mesmo?

RESPOSTA Sônia Novinsky:  sua cliente é a mãe mas não comentou muito como esta  mãe vê este filho. É devido a ele que ela está na terapia? Como é a relação desta mãe com este filho? Ela o prioriza? Ela o sente parecido com o pai? Ela o rejeita? Estas perguntas que eu tentaria  responder antes de mais nada. Esta mãe tem segurança e confiança em si ou os eventos do filho a desorientam? Este preocupar-se significa sentir que o filho lhe escapa? Entra num estado agônico? Perde o chão? Parece mesmo que este pai biológico desistiu do filho, confere? Este filho faz algum tratamento? Já pensou em trazer ele um dia com a mãe para sentir se ele precisa de ajuda e  convida-ló para ver se ele aceita ajuda? Este filho me parece que sofre. É muito. Ele está se identificando com os abandonados. A mãe me parece que quer mais enquadra-lo do que compreendê-lo e prioriza-lo. Não vejo que os eventos que ela viveu com o ex sejam a base do que acontece hoje nesta família. Eu acho que este filho não tem lugar nesta família. E sente que seu pai não o assumiria. Ele está meio que na beira de um desajustamento que pode virar delinquência num outro momento. Ouvir este menino é fundamental para orientar essa mãe. Se ela reclama que está preocupada ela quer orientação. Não sei se vai ouvir mas precisa tentar. Paralelamente eu tentaria ouvir também a mãe falar do que sente, como vê sua vida. Para depois ir para sua infância e procurar compreender como esta fragilidade e insegurança começaram. Não sei mas do jeito que você escreveu me parece que há um falso self bastante forte nela. Uma busca de sustentar uma imagem de família feliz que este filho quebra e ela se sente incomodada. Todos perfeitos menos este menino. Estou trabalhando apenas com os dados que tenho. E adivinhando um pouco. Mas eu iria atrás destas hipóteses que levantei e buscar qual o real sofrimento desta mãe na sua infância e puberdade bem como buscar ouvir este menino diretamente me parecem essenciais.

O que você acha, terapeuta da mãe? 

Fala a Terapeuta: Não é por causa do filho que ela está na terapia. Ela é bem controladora, devido a questão ontológica dela de desamparo. Ela não gosta quando vê o pai nele, quando vê que ele faz coisas ou fala como o pai. Ele não se abre nem com ela. Quando visita o pai, não conta como foi, o que aconteceu pra ela. Ele sente ciúmes do irmão, eu falo que ela tem que ter um tempo com ele a sós, mas é bem corrido. Acabam não tendo esse tempo juntos. Ela não o prioriza. A preocupação não é agonica. Eu às vezes acho que fico mais preocupada com ele do que ela. O pai realmente parece não se importar  muito com o filho. Ela tinha um medo do filho gostar mais do pai do que dela. Já ouvi o filho mas ele se abre pouco, é muito fechado. De alguma forma ele gostou pq voltou poucas vezes mas não tem muita confiança pra se abrir. Ele não está feliz mas não se abre.

Comentário Sonia: Eu acho que minha hipótese de que ela realmente quer controlar a situação acima de tudo para manter uma imagem da família feliz e que o filho destoando impede, faz sentido. Ela não se desespera verdadeiramente pelo filho, mais que tudo quer enquadrá-lo minimamente quanto ao seu comportamento. Se importando pouco com sua subjetividade. O que me leva a supor sim, que se trata de um falso self. Mas um dado ficou faltando, por que ela veio para terapia? qual o sofrimento que precisa conhecer e elaborar?

Esclarecimento da terapeuta: Ela procurou terapia porque o seu sobrepeso a incomodava muito e ela não conseguia emagrecer e se frustrava. A mãe morreu quando ela era um bebê ainda.

Comentário Sonia:  Acho que a terapeuta neste caso está realmente preocupada com o filho, enquanto a mãe está preocupada consigo mesma. É preciso realinhar este tratamento. Com certeza a mãe sofre de um desamparo ontico que se cruzou com seu desamparo ontológico, e isso a faz voraz e controladora. Isso precisa ser tratado, porque ela não consegue ver o outro, mesmo sendo seu filho, pois o desamparo a deixa em estado de narcísico. Eu aconselho a terapeuta a indicar um terapeuta urgente para este menino, pois ele precisa de ajuda que não pode ser sua nem da mãe. Porque ele está reproduzindo seu próprio desamparo a cada dia e o da mãe junto. O verdadeiro título desta dúvida é: Filho de Paciente preocupa Terapeuta, rs. O título anterior era: Filho preocupa mãe, mas mudei, porque este agora é o correto.

Terapeuta pergunta: Depois que vc falou que fui perceber que ela é mesmo falso self. Pq as vezes eu não sei pq ela tá na terapia. Ela chega e fala que está tudo bem. Os filhos estão ótimos. "Tá tudo bem! " Não tem nada incomodando. Aí eu vou cuidando do origem do desamparo dela que eu já conheço (morte inesperada da mãe quando ela era bebê), voltamos no evento e sempre é forte. Só na última vez que não foi. Ela não conseguiu lembrar nem criar o evento. Sobre o filho eu dei uma cutucada, falei que eu acho que ele não está bem. Aí ela disse que é a adolescência, que as outras mães dizem o mesmo... Como que trabalha com falso self? E  pq o desamparo deixa a pessoa narcisista?

Sonia Novinsky responde: As pessoas tendem a funcionar na realidade social, compartilhada como um falso self nos casos em que por exemplo o desamparo deixou muito medo de ser autentico e espontâneo e perder de novo. Você pode mostrar a ela como ela é muito escrava das opiniões dos outros e por isso procura sempre m mostrar uma fachada sem problemas. O self verdadeiro está lá, escondidinho, esperando para poder existir mais amplamente. A pessoa que vive em estado de falso self geralmente tem um incomodo mas não sabe bem qual é, porque é uma violência e um adoecimento ter sempre que mostrar uma fachada bonitinha para todos. Por isso talvez ela esteja na terapia. Eu acho que você poderia começar pelo desamparo que ela viveu e que a comove ainda, e daí ir derivando outras dores, outros sofrimentos. Se o falso self é todo fechado, e não há uma janelinha de sofrimento a terapia não é possível. Me parece que ela está na terapia buscando conselhos e orientações para o filho escancarar menos as imperfeições familiares. Para poder minimizar o incomodo que sente. Talvez provocando um diálogo na terapia entre mãe e filho possa ficar mais claro os desencontros e a dor e se caminhar para algo mais verdadeiro. Conte-nos como evolui o caso?

 

 

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ACADEMIA CLINICA
Sonia Novinsky
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Psicoterapeuta . Diretora do Centro Gary Craig de Treinamento em EFT Oficial no Brasil. Atendimento on line e presencial. Supervisão em grupo para EFT Oficial ( tapping e Optimal). Práticas grupais de EFT. Contatos pelo whats: 11999941415

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